Tratamentos


 

Há diversos tipos de tratamentos aceitos para os tumores de pele. Na escolha da terapia, vários fatores devem ser considerados, como a localização do tumor, tamanho, tipo histológico, história de tratamentos prévios, idade e estado de saúde do paciente. Além disso, deve-se também avaliar o risco de complicações, custo e taxas de recidiva do tratamento proposto. O principal objetivo do tratamento é a cura. Deve-se também levar em consideração o máximo de preservação de função e melhor resultado cosmético possível. 


TRATAMENTOS NÃO CIRÚRGICOS


Medicamentos tópicos

Os medicamentos tópicos mais utilizados que tratam as lesões cancerígenas e pré cancerígenas de pele são o 5-fluorouracil e o imiquimod.

O 5-fluorouracil é um agente químico de uso tópico que diminui a proliferação das células e acarreta em morte tumoral. Geralmente utilizado para lesões pré cancerígenas como a queratose actínica ou CEC superficial. A sua principal vantagem é a fácil aplicação pelo paciente, porém é efetivo apenas para neoplasias superficiais, além de gerar uma irritação cutânea significativa durante seu uso. O imiquimod é um modulador da resposta imune. Acredita-se que age ativando células inflamatórias, induzindo a secreção de substâncias pró-inflamatórias. Utilizado principalmente no tratamento do CBC superficial, também é um tipo de tratamento de fácil aplicação. Pode acarretar em reação cutânea local e faltam estudos que demonstrem as taxas de recidivas tumorais a longo prazo. 

Terapia Fotodinâmica

A terapia fotodinâmica consiste no uso terapêutico de reações fotoquímicas. Aplica-se, na área afetada, uma droga fotossensibilizante como o ácido aminolevulínico (ALA) ou ácido metilaminolevulínico (MAL), produzindo percursores sensíveis à luz. As células nas quais há acúmulo desse percursores, ao serem expostas ao oxigênio e a uma fonte específica de luz, são destruídas por uma reação via radicais livres. É um tratamento indicado principalmente para queratose actínica ( lesão pré cancerígena) , CBC superficial e CEC não invasivo. Apesar de não ser um tratamento cirúrgico, é um recurso que provoca dor e possui alto custo.  

Radioterapia

A radioterapia vem sendo muito utilizada como alternativa ao tratamento cirúrgico, principalmente nos pacientes idosos, com tumores grandes ou de difícil localização. Pode ser útil também como adjuvante ao tratamento de neoplasias com acometimento ao redor de nervos ou com margens positivas após retirada cirúrgica. A dose total e o regime de tratamento depende de diversos fatores como localização, tamanho, tipo e profundidade tumoral. A radioterapia não é geralmente recomendada para pacientes mais jovens, pelo risco de cicatriz inestética e chance de aparecimento de novas neoplasias cutâneas na área irradiada após 10 a 20 anos.


TRATAMENTOS CIRÚRGICOS


Curetagem e Eletrocoagulação

A curetagem seguida de eletrocoagulação é rotineiramente utilizada pelos dermatologistas no tratamento dos tumores de pele. Existem várias maneiras de se realizar esse procedimento, não havendo um método padrão. O princípio básico consiste em se realizar um tipo de raspagem da superfície da lesão. Logo em seguida, utiliza-se um eletrocautério, queimando-se o leito da ferida com o contato direto do eletrodo no local. Há coagulação das proteínas e destruição das células. Esse ciclo é então repetido de duas a três vezes e a ferida é deixada para cicatrização, sendo o resultado estético final variável.  

Criocirurgia

A criocirurgia é uma técnica de destruição tumoral na qual se utiliza o nitrogênio líquido, tanto na forma de spray como de sonda fechada, para induzir morte das células cancerígenas. Esta ocorre ao se aplicar o nitrogênio em baixas temperaturas no tecido doente. A criocirurgia é efetiva no tratamento tanto de lesões benignas, como lesões pré-malignas e malignas. É uma boa opção para pacientes que apresentam alto risco cirúrgico, com marcapasso ou doenças da coagulação, para aqueles que não querem ser submetidos ao procedimento de cirurgia ou que tenham qualquer outra condição com a qual a cirurgia não seja praticável. O procedimento deve ser evitado em tumores com bordas pouco definidas ou com invasão profunda.  

Após o procedimento, há inchaço e liberação de secreção da ferida e pode demorar algumas semanas para completar a cicatrização. Além disso, a cicatriz é geralmente mais clara que a pele normal, fazendo com que a criocirurgia seja uma opção cosmeticamente pouco atrativa nos pacientes com a pele mais morena.

Cirurgia Convencional

A cirurgia convencional é baseada na retirada do tumor com bisturi e fechamento da ferida operatória. Geralmente a lesão clinicamente visível é retirada com uma margem de segurança lateralmente à lesão, isto é, uma área de pele clinicamente sã ao redor do tumor, entre quatro a cinco milímetros, atingindo-se na profundidade a gordura subcutânea. A peça cirúrgica é então enviada para avaliação anatomopatológica, sendo que o patologista confirma o tipo tumoral e o comprometimento ou não das margens. 

Cirurgia Micrográfica de Mohs

A Cirurgia Micrográfica de Mohs é uma técnica na qual há retirada cirúrgica do câncer de pele, associada ao mapeamento da lesão e da ferida operatória, e avaliação histopatológica da peça cirúrgica no intra-operatório, através da técnica de congelação.  

A cirurgia inicia-se com a delimitação clínica da área a ser operada. Pode-se desgastar o tumor antes de sua retirada, para que se delimite melhor o sítio cirúrgico e se diminua a massa tumoral. Isso não é considerado como o primeiro estágio da cirurgia. A área visível do tumor é então retirada com uma margem mínima de um a dois milímetros. A peça é dividida em fragmentos que são marcados com tintas de diferentes cores. São feitos pontos de referência na pele do paciente e um mapa da área cirúrgica é desenhado ou fotografado.

Os fragmentos são congelados, corados com colorações especiais e avaliados no microscópio. Se células tumorais são vistas, marca-se a posição exata das mesmas no mapa desenhado ou fotografado. Desse modo, um novo fragmento de pele é retirado precisamente no local onde há células cancerígenas remanescentes. A nova peça da ampliação é mapeada, processada e avaliada microscopicamente. O processo continua até que não existam mais evidências de células cancerígenas no local.

As duas principais vantagens da Cirurgia de Mohs são a confirmação da remoção de todo o tumor durante a cirurgia, com uma taxa de cura alta, já que a totalidade das margens é avaliada e a preservação máxima de tecido sadio.